VINIL – SLEEVE (EX / EX-). Edição original portuguesa Discos Fama / Zip Zip. Registo muito raro, usado e em excelente estado. Capa com algumas deficiências, conforme imagens.
Conheci os Mini Pop (os 3 irmãos Barreiros e 1 amigo comum, o baterista Abílio Queirós) ainda como estudantes do Liceu Alexandre Herculano do Porto. Só soube da sua existência porque um dia às portas do liceu parou uma viatura “pão de forma” (muito semelhante à utilizada pelos irmãos Bee Gees nos seus primeiros anos) e dentro dela saíram vários rapazes da minha idade com livros e cadernos debaixo do braço, como era hábito à época (nada de mochilas com ou sem rodas). O furgão tinha uma inscrição bem visível “Conjunto Mini Pop” e era guiada pelo progenitor e manager da banda (um senhor autoritário como soube mais tarde, um pouco à medida do pai dos irmãos Jackson, esses mesmos, os famosos Jackson 5). Os Mini Pop nunca foram tão famosos, nem coisa que se pareça, mas participaram em eventos hoje em dia impensáveis para os miúdos das suas idades. Na verdade eram todos menores quando participaram em 1971 no Festival Vilar de Mouros (o mais velho tinha na altura 13 anos) e um ano depois fizeram as honras da primeira parte do grupo inglês If no Cinema Monumental de Lisboa.
Os caminhos com os Mini Pop voltaram a cruzar-se já no inicio da década de 80, ainda no mesmo liceu, mas agora como banda Jafumega e um dos músicos, o Eugénio Barreiros. Andavamos os dois num horário pós-laboral a acabar o que ficou para trás, o 12º. Felicitei-o pelo single “Ribeira” que, para mim, foi um passo bem à frente em relação ao álbum “Estamos Aí”. Pessoa de poucas palavras, Eugénio agradeceu e confessou que iria gostar do próximo álbum. Na verdade assim foi. Em 1982 o homónimo “Jafumega” evidenciava o melhor do Pop/Rock em português, em temas que se tornaram clássicos; “Latin’América”, “Kasbah” e “Nó Cego”.
Foi com bastante mágoa que soube do seu desaparecimento no dia 10 de Janeiro de 2020, a menos dum mês do seu aniversário. Algo se perdeu neste caminho e muitas vezes as palavras não chegam…
Hoje quis finalmente homenagear o meu antigo companheiro de turma, um aquariano como eu, um magnifico teclista e compositor, um homem de poucas palavras que não merece ser esquecido ao contrário duns certos fala-barato, duns certos senhores crescidos da nossa sociedade e a quem se dá muita importância…
Francisco J. Fonseca
A1. Certos Senhores Crescidos
A2. O Recreio
B1. Ladrar à Lua
B2. Reflections Of My Life