JOSÉ LEMOS C/ CONJUNTO PORTUGÁLIA

FILIGRANAS PORTUGUESAS

1960
RCA CAMDEN
Vinil LP
BR
CALB5009

Stock: Indisponível

FILIGRANAS PORTUGUESAS

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Detalhes

VINIL - SLEEVE (EX- / EX-). Edição original brasileira da RCA Camden. Registo muito, muito raro, usado e em excelente estado. Capa com sinais de envelhecimento, ver imagens.

 

 


Existe pouca ou nenhuma informação na internet sobre este brilhante cantor português que fez toda a sua carreira no Brasil, país para onde emigrou em 1921 com 13 anos vindo da cidade do Porto. Foi do norte de Portugal e das saudades das festas e romarias que alguns anos mais tarde despertou o desejo da criação dum conjunto português. Assim nasceu o Conjunto Portugália, um dos pioneiros no seu género por terras brasileiras, que teve a virtude de incluir na sua formação músicos portugueses e brasileiros. Um dos músicos que intregou o Conjunto Portugália, durante os seus catorze anos de existência, foi o famoso Luis Gonzaga, e, pelo que consta no texto da contracapa, fez mesmo a sua estréia no mercado discográfico. Outros dois conhecidos músicos brasileiros que também acompanharam ao vivo e em estúdio, foram os conhecidos Pixinguinha e João da Baiana, este último ficou na história da música brasileira por ter sido o primeiro a introduzir o pandeiro no Samba.
Todas as composições que consta neste LP são as originais editadas inicialmente em 78rpm (gravações datadas de 1937 a 1941), não incluindo no entanto as duas primeiras do ano de 1934; “Desfolhada ao Luar” e “Fado Hilário”, embora alguns especialistas no nosso meio afirmem que o primeiro tema em disco de 78rpm de José Lemos seja “Pico Serenico”, uma gravação de 1931 (neste LP regista nº da matriz de 1941), outros há que seriam os temas gravados em 1934; “Amor Que Mata” e “Mãe do Soldado”. Mais tema menos tema, mais ano menos ano, o valioso legado musical de José Lemos foram 88 fonogramas distribuídos por 44 discos impressos a 78rpm e vários deles cantados ao desafio com a cantora Cândida Leal, de que pouco sabemos, a não ser que chegou também a gravar com outro conhecido cantor português da época, Manoel Monteiro (1909-1980). Muitas destas composições foram anos mais tarde gravadas e interpretadas por outros artistas portugueses, casos de Virgilio Cervantes, Carlos Veríssimo e Artur Garcia (foram um êxito as versões de Artur Garcia na década de 60 nos programas televisivos e em disco, designados como “Melodias de Sempre”).
Quanto ao nosso José Lemos, deixou as cantorias bem cedo dedicando-se à vida familiar e de empresário. E foi a editora de sempre do artista, a RCA, quem lhe prestou o primeiro tributo com o lançamento desta colectânea de êxitos e informando no texto da contracapa que o cantor iria finalmente concretizar um sonho da há muitos anos, visitar a sua terra Natal, o Porto.
Tudo isto não sugere porém que a editora brasileira era (em 1960) complacente e altruísta para com o nosso artista. O contributo de José Lemos nas décadas de 30 e 40 foram de tal maneira importantes e lucrativos para a RCA Camden, que negar estes factos é esconder as evidências. É certo e sabido, que em meados da década de trinta havia no Rio de Janeiro umas 30 emissoras de rádio a passar maioritariamente música portuguesa nas suas vertentes mais populares, como as marchas, o fado-canção, os viras, as cantigas ao desafio e as canções do teatro de revista. A influência cultural e musical da comunidade portuguesa era de tal modo considerável, que mesmo a artista de maior projecção do Brasil nos Estados Unidos era de origem portuguesa! Falamos obviamente da marcuense Carmen Miranda, mas, para quem desconhece os factos, também a nossa Beatriz Costa tinha à época um enorme sucesso por terras brasileiras e ambas disputavam a primazia da artista mais popular ao sul do Equador. Não admira pois que muitos dos bons músicos e cantores oriundos de Portugal fossem bem aceites no meio artístico, como foram os casos do José Lemos, Manoel Monteiro, Berta Cardoso e a própria Amália Rodrigues. Historicamente foi para o selo discográfico Continental que em 1943 a nossa Diva do Fado gravou os seus primeiros 16 fados divididos por 8 discos de 78rpm, com o acompanhamento do guitarrista português Fernando Freitas e da sua Orquestra Portuguesa de Guitarra. Um brilhante guitarrista que acabou por fixar-se no Brasil e casar com uma brasileira filha de pais emigrantes portugueses e uma apaixonada pelo Fado, Maria Girão. Dessa união “artística” nasceria um outro artista conhecido inicialmente como o Very Nice, mas baptizado no ano de nascimento de 1951 como Fernando Girão.
Mas voltando em especial aos guitarristas portugueses que encontraram no Brasil uma vida profissional estável (um dos últimos foi Manuel Marques nascido na Maia em 1926), destacamos os pioneiros Manuel Carames, António Ferreira Jr. o “Ferreirinha”, Joaquim Reis e Carlos Campos, estes dois últimos pertenceram mesmo ao Conjunto Portugália, e, no caso de Carlos Campos, há a salientar o facto de ter sido também compositor de alguns fados aqui mencionados.
Senão todos, a maior parte dos discos de José Lemos e do Conjunto Portugália foram editados no nosso país sob a sigla “H.M.V. EQ” através das prestigiadas firmas da época, uma sediada na cidade invicta “Os Grandes Armazéns Bazar do Porto”, outra os “Estabelecimentos Valentim de Carvalho” em Lisboa e ambas administradas pelo conceituado maestro Frederico de Freitas.
Em jeito de epílogo, e, como hoje em dia há uma terrivel indiferença do público brasileiro em geral para com a música portuguesa, e ao invés, uma visibilidade atroz da música brasileira em Portugal (em quaisquer tipos de eventos oficiais e não oficiais, transmitidos ou não pela TV ou estações de rádio), cada vez mais urge fazer um trabalho de pesquisa e histórica dos Portugueses Pelo Mundo, não como uns coitados e necessitados, mas como cidadãos do mundo que muito contribuiram através do seu esforço para um futuro melhor, e melhor dizemos de todos!...

 


Texto de: Francisco J. Fonseca

Colaboração de: António Santos

 

 

A1. Corridinho do Sul
A2. Pico-Serenico
A3. Romaria ao Senhor da Pedra
A4. Moleirinha
A5. Amor de Perdição
A6. Vira do Terreiro (c/ Cândida Leal)
B1. Vira Aveirense
B2. Boa Noite Raparigas (c/ Cândida Leal)
B3. O Mangerico
B4. No Arraial
B5. Linda Vida (c/ Cândida Leal)
B6. Aldeias de Portugal