MANOEL MONTEIRO

SEMPRE QUE LISBOA CANTA

1958
TODAMÉRICA MÚSICA
Vinil LP
BR
LPPTA326

Stock: Disponível

25,00 €

SEMPRE QUE LISBOA CANTA

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Detalhes

VINIL - SLEEVE (EX- / VG+). Edição original brasileira da Todamérica Música / Fábrica Odeon- Indústrias Elétricas e Musicais. Registo muito, muito raro, usado e em bom estado geral. Vinil com algum uso visível. Capa em cartão grosso com algum uso e envelhecimento, conforme imagens.

 

 

Tal como José Lemos e Joaquim Pimentel, também Manuel Monteiro (ou Manoel Monteiro) foi um dos maiores fadistas portugueses que brilharam no Brasil no século passado, e, para muitos, o pioneiro no género nesse país sul-americano de língua portuguesa.
Nasceu em Cimbres, concelho de Armamar em 1909 e faleceu no Rio de Janeiro em 1990 (um triste final longe da pátria e injustamente esquecido na comunicação social portuguesa). De facto teve mais impacto no Brasil do que em Portugal, já que foi o artista que mais gravou em terras de Vera Cruz durante os 30 anos da sua carreira artística (temos conhecimento de mais de 70 discos em 78rpm registados entre os anos trinta e cinquenta). Não foi só o artista português mas também o recordista por aquelas paragens, pois nenhum outro intérprete igualou tal feito, o que motivou (de certo modo) a inveja a alguns cantores brasileiros.
E, ao contrário de alguns “cronistas”, o seu primeiro disco foi editado em 1928 (com 19 anos de idade), “A Minha Bandeira” e “Santa Cruz”, para a etiqueta Odeon e ambos escritos por Manoel Caramés, um dos maiores guitarristas portugueses radicado à época no Brasil. Foi mesmo Manoel Caramés o responsável pelo início da promissora carreira do fadista, tal como iria ser o guitarrista e compositor Carlos Campos, autor dos dois fados do segundo disco de Manoel Monteiro em 1932, “O Teu Olhar” e “O Último Fado”.
Já que falamos no início da sua carreira artística, devemos no entanto dissertar um pouco sobre a vinda de Manoel Monteiro para o Brasil com o pai e um tio, a 18 de Janeiro de 1923. Numa época de má memória para os portugueses (politica, social e económica), muitos emigravam para o Brasil no intuito de refazerem a sua vida. No entanto a sorte iria ser madastra para o pai, António Monteiro, que embora tivesse arranjado um emprego como motorista, adoeceu gravemente, vindo a falecer poucos meses depois do seu regresso forçado a Portugal. Em 1927 Manoel Monteiro, já sem o apoio do pai, passou então por bastantes dificuldades vivendo às custas de alguns parentes que também refaziam as suas vidas na cidade do Rio de Janeiro. É nesta cidade cosmopolita que um dia, descobre por mero acaso do destino, uma loja de instrumentos pertença dum emigrante português. Nesse bendito dia, o som que saia pela porta do estabelecimento não era só duma grafonola mas também dum músico que experimentava uma guitarra portuguesa, (o guitarrista era o conceituado Manoel Caramés). Manoel Monteiro, que sabia de cor a letra do fado que passava na vitrola, logrou matar saudades da sua terra interpretando esse fado para espanto de Manoel Caramés. A partir desse dia o destino foi mais complacente para Manoel Monteiro. Não só se tornou num novo artista da Editora Odeon como intregou os quadros da Rádio Educadora do Brasil, e, inclusive ingressou na Escola de Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 1934 criou o seu próprio programa de rádio, dedicado à promoção e divulgação da Música Popular Portuguesa. Por lá passaram um número considerável de cantores portugueses radicados no Brasil e de muitos outros que ali aportavam integrados em caravanas artísticas vindas de Portugal. Todos tiveram o melhor apoio logístico e artístico de Manoel Monteiro, mesmo após o término do seu programa de rádio em 1950. Falamos da grande Amália Rodrigues, do guitarrista maiato Manuel Marques, da fadista/radialista brasileira Irene Coelho, das portuguesas Ilda de Castro, Florência Rodrigues e até desse fenómeno de popularidade dos 2 países irmãos, Roberto Leal.
A sua popularidade foi tal nas décadas de 30 e 40 no Brasil, que chegou a ser convidado para participar como artista do elenco dos filmes “Inconfidência Mineira” de Carmen Santos e “Alô, Alô Brasil!” de Wallace Downey, em que contracenava com a não menos famosa Carmen Miranda. Partilhou os palcos com algumas celebridades brasileiras da época como Ivon Curi, Angela Maria, Dick Farney, Silvio Caldas, Albertinho Fortuna, Jackson do Pandeiro, Carmélia Alves, Luis Gonzaga e Sivuca. No final da década de trinta, no auge da sua carreira, decidiu vir a Portugal, não só para matar saudades junto dos seus conterrâneos mas também para apresentar o seu próprio espectáculo. Actuou, entre outros palcos, no Teatro Politeama em Lisboa, no Teatro Sá de Bandeira no Porto e no Teatro Avenida de Coimbra. Embora com uma agenda bem preenchida para vários meses, não só em Portugal como nos territórios do Ultramar, decidiu cancelar os mesmos pois estava eminente o despoletar da 2ª Grande Guerra Mundial. A 3 de Setembro de 1939 Manoel Monteiro pisou de novo solo brasileiro, dois dias depois da data que é hoje considerada como o início da Segunda Grande Guerra. Nunca mais regressou a Portugal, e, tal como o cantor José Lemos (de quem já falamos em anterior artigo), também Manoel Monteiro terminou bem cedo a sua carreira artística (em 1960 com 51 anos de idade). O nome e a sua herança continua presente e à espera da redescoberta, factos que podemos comprovar com a edição deste álbum de 33rpm “Sempre Que Lisboa Canta” da editora brasileira Todamérica, o primeiro dos 2 álbuns de 33rpm editados em 1958 com alguns dos antigos registos de maior sucesso em 78rpm. Foi uma maneira (à época) de dar a conhecer às gerações futuras o nome de Manoel Monteiro (em Portugal houve também edições pela etiqueta Roda nos formatos 33rpm e 45rpm (discos bem raros de encontrar hoje em dia)). Mais fáceis e porventura mais acessíveis são as versões de alguns dos seus êxitos nas vozes de Virgilo Cervantes (o artista que melhor perpetuou o seu legado), Tony de Matos, Francisco José e Lourenço de Oliveira. Na sua breve estadia em Portugal em 1939, Manoel Monteiro encontrou-se também com dois dos maiores compositores nacionais da época; Raul Ferrão e Frederico de Brito. “O Meu Barquinho” foi a marcha de sucesso escrita pela dupla para a voz de Manoel Monteiro e está incluída neste disco, assim como os êxitos compostos por Manoel Caramés “Canto do Ceguinho” e “Vida da Minha Vida”. E já agora, nada melhor que ler o texto da contracapa para perceber a importância deste extraordinário cantor português por terras brasileiras e que há muito merecia ser lembrado por quem de facto zela pela nossa cultura.


Texto de: Francisco J. Fonseca
Colaboração de: António A. Santos

 

 


A1. Sempre Que Lisboa Canta
A2. O Meu Barquinho
A3. Machimbombo
A4. Uma Casa Portuguesa
A5. Lisboa Antiga
A6. Mem às Paredes Confesso
B1. Colete Encarnado
B2. Santa Cruz
B3. Fado Manoel Monteiro
B4. Minha Bandeira
B5. Canto do Ceguinho
B6. Vida da Minha Vida