Detalhes
LIVRO (EX-). Publicação original portuguesa, 1ª edição, da Livraria Rocha / Edição de Autor. Impresso na Rocha / Artes Gráficas- Porto, em capa mole a duas cores, (13.5x21.0cm), com 112 páginas. Exemplar com algum envelhecimento, conforme imagens.
Um livro sui-generis no seu conteúdo mas deveras atractivo para quem gosta de literatura marginal. Como diz o autor no início da narrativa; “…O presente irrelatório constitui o desrelato das pesquisas ao longo de pacientes anos na profissão de guardador-de-retretes, profissão em que encalhei não por razões de especial vocação mas por motivos de inaptidão generalizada para todos os ofícios que tenho vindo a exercer, de país em país, de terra em terra, de insucesso em insucesso. Em muitos charcos, porém, brilha o sol. E quis o acaso que as loongas hooras de oócio proporcionadas por esta indigna profissão me permitissem ir gizando os fundamentos de uma nova ciência cujo campo, por razões evidentes de abjecção, tem permanecido inexpugnado…”
E não falta, como seria sacrilégio, a poesia dita de cagadeira escrita na porta, alguma dela que merece desde já a nossa transcrição:
“Vim aqui hoje cagar
E trouxe discos de valsas
A cagar os fui dançando
Fodi as pobres das calças.”
“A cagar fiz um charro
A cagar o acendi
A cagar fumei-o todo
A fumar caguei pra ti.”
“O astronauta que parte
Deve trazer pelo menos
Uma gravata de Marte
E uma camisa de Vénus.”
“Puxei pelo autoclismo
O cagalhão estremeceu
Deu duas voltas de triste
Disse-me adeus
E desceu.”
Como seria expectante, já que este livro foi editado dois anos após o 25 de Abril de 1974, há a palavra e a piada dita política do anterior regime:
“Sabes qual é o cúmulo do tesão?
É um velho de 80 anos andar a foder a Nação.”
“A diferença entre Portugal
E uma lata de merda
É só a lata.”
“Entre um pato e Salazar
Há uma diferença bruta:
O pato é filha da pata
O Salazar é filho da… puta.”
Outras são mais intemporais:
“Neste país de gatunos
Governado por ladrões
O Zé Povinho assiste
Ás condecorações!...”
“Se o voto é a arma do povo
Não votes,
Senão ficas desarmado.”
“O socialismo está em construção.
Visite o andar modelo.”
E, em jeito de despedida, numa porta ultra-saturada de graffitis e ditos:
“É favor
Pintarem a porta
De novo.
Já não tenho onde escrever.
Obrigado.”





