Laura Costa (1910-1993) foi uma prolífera pintora e artista gráfica portuguesa, não só reconhecida popularmente pelo seu estilo de desenho patente em dezenas de livros infantis e escolares, mas também em muitas outras formas pictóricas como postais, puzzles de cubos, jogos, capas de livros, capas de discos, almanaques, jornais, livros para colorir, cartazes de publicidade e calendários (ver as primeiras imagens).
Entre os contos infantis referidos como os clássicos, ilustrou “A Gata Borralheira”, “O Patinho Feio”, “História dum Soldadinho de Chumbo”, “A Bela Adormecida” e “Ali Bábá e os 40 Ladrões” entre tantos outros, conforme as imagens documentam.
Mas provavelmente onde mais se notabilizou foi como ilustradora da editora portuense Majora, não só em várias colecções de livros infantis (Colecção Varinha Mágica, Colecção Pinto Calçudo e a Série de Prata), mas também por ser das primeiras ilustradoras no início da década de 40 a elaborar trabalhos para a recém-criada Editorial Infantil Majora e os seus famosos livros de pano. Eram pois pequenos livros que se podiam lavar e que dificilmente rompiam (eram fabricados em pano tratado e cozidos nas bordas superior e inferior). Desses livrinhos, um dos mais divulgados foi "A História da Fátima Contada aos Pequeninos", escrito pelo Padre Armando Ferreira e ilustrado por Laura Costa (ver imagens).

 

 

Também deu o seu contributo artístico em jornais e revistas como são exemplos O Primeiro de Janeiro e O Tripeiro (ver imagem) e em outras empresas editoriais da cidade do Porto, como a Lello e a Figueirinhas.
Uma relação que se estendeu também para as editoras discográficas da cidade, casos da Alvorada/Rádio Triunfo e da Roda/J.C. Donas.
É principalmente nestas duas editoras que a arte popular de Laura Costa encanta para os pequenos e também para os discófilos mais graúdos. Um dos primeiros trabalhos foi a ilustração duma história tradicional portuguesa na versão de Odette de Saint-Maurice, “João Espertalhão”, com música de Jaime Filipe e interpretada em fundo sonoro pelo Conjunto de Jorge Machado (ver imagem). A primeira edição da Alvorada foi um EP especial com capa gatefold e um booklet de 8 páginas com vários desenhos da artista. Uma pequena maravilha discográfica e um mimo para os olhos de quem possui este raríssimo exemplar.
Infelizmente, e provavelmente para contenção de custos, as edições posteriores mantiveram apenas a capa original, mas no caso da etiqueta Roda/J.C. Donas algumas das capas executadas pela artista foram reaproveitadas para outras edições (como se comprova por algumas imagens), desvirtuando por assim dizer o design original.
Mas, felizmente, podemos constatar que o trabalho da artista continua bem vivo em pleno século XXI, como é exemplo “Folclore de Portugal”, edição da Movieplay em 2003 no formato CD (ver últimas imagens). Se isso é um facto abonatório, da mesma maneira teremos que pronunciarmos em relação a José Mário Branco e aos GAC. Em 1978 passou despercebido a muita gente um pequeno disco de 45rpm, um EP que pouco informava na capa, pouco mais que “Marchas Populares”, mas que chamava a atenção pela “ingenuidade” do desenho, (ver imagens).

 

 

 

Se por vezes se confunde a arte popular com a arte naif, ou, (dizíamos nós), arte ingénua com uma (in)certa cultura de quem a executa, no caso de Laura Costa estes “parâmetros” não existem.
Formada em 1939 com distinção na Escola de Belas-Artes do Porto, integrou à época o grupo artístico “Mais Além” (faziam parte os conhecidos artistas Dominguez Alvarez e Guilherme Camarinha) e foi amiga pessoal dum dos maiores vultos do cinema português, Manoel de Oliveira.
Laura Costa foi durante muitos anos professora no Colégio do Rosário do Porto e só nos últimos anos da sua vida se dedicou a tempo inteiro à sua arte.
Para quem quiser conhecer um pouco mais da sua vida artística e das suas multiplicas criações, nada melhor que contactar a Câmara Municipal de Paredes de Coura e marcar uma visita ao Centro de Estudos Mário Cláudio, local onde esteve patente em 2017 uma importante exposição dedicada à artista, “Laura Costa (1910-1993) – Primeira Retrospectiva da Ilustradora”.

 

Texto de: Francisco J. Fonseca