Moreira Azevedo, José Santa-Bárbara, Eu Jorge, Isolino Vaz, José Luis Tinoco, José Brandão e até Maluda, foram alguns nomes importantes que deixaram o seu testemunho artístico em muitas capas da editora Orfeu. Quem também deram um enorme contributo visual foram os fotógrafos, e entre eles, os destaques vão para João Sottomayor, Álvaro João, Teófilo Rego, e, claro, Fernando Aroso, um nome que surge naturalmente em destaque nesta Exposição consagrada a uma das editoras discográficas da cidade do Porto que mais de distinguiu  não só pela qualidade mas também pela diversidade.

 

 

Fundada na cidade do Porto em 1956 a editora Orfeu surgiu pelas mãos da nova geração da familia Arnaldo Trindade, reconhecidos comerciantes e representantes em Portugal de algumas marcas discográficas estrangeiras com destaque para a inglesa Polygram e a norte-americana Philco.
Foi com naturalidade e própria duma juventude ávida de desafios que Arnaldo Trindade Filho sugeriu uma nova direcção ao negócio da familia com o lançamento duma etiqueta discográfica dedicada à Poesia Portuguesa, uma lacuna existente na nossa cultura (os próprios poetas a declamarem em disco os seus poemas), mas que já tinha sido posta em prática em alguns países europeus.
Assim surgiram os primeiros registos da Orfeu em tiragens muito reduzidas, gravadas num simples estúdio e editadas num modo quase artesanal pela casa mãe sito na Rua de Santa Catarina no Porto. Iniciaram-se com a referência AT 500 e duraram com esta designação até 1960 (conhecem-se perto de 20 registos, todos eles no formato 10”).
É em 1960 que surge uma nova referência - ATEP 6000 -  para um novo formato; 7” (o vulgar single ou EP), um formato que projectou a editora durante mais de duas décadas.
É de toda esta valiosa história da nossa cultura musical que esta exposição nos remete, repleta de raridades e curiosidades discográficas, entre as quais  algumas das capas da etiqueta Radertz de 78 rpm, semente da futura editora Orfeu, (durou escassos anos, entre finais da década de 40 e inícios dos anos 50).

 

 

Parte do espólio existente n' O Covil do Vinil inclui alguns desse raros exemplares da Radertz, a par de outros não contemplados na mostra e que poderão ser visionados aqui. A última imagem contempla mesmo o primeiro exemplar de 33 1/3 da editora, um disco do Rancho das Tricanas da Lapa. São com algumas destas capas da Radertz, juntamente com outras mais da Orfeu e mais umas tantas  fotografias das instalações da Exposição, que divulgamos e sugerimos vivamente uma visita à Casa do Design em Matosinhos. Algumas destas capas aqui divulgadas pelo O Covil não estão na exposição, mas para quem aprecia os desenhos originais dos autores e as capas finais, juntamente com centenas de exemplares bem documentados, encontrará motivos de sobra para a deslocação! Ainda tem algum tempo, pelo menos até ao dia 2 de Setembro de 2017.

 

Texto de: Francisco J. Fonseca