Frases ouvidas e repetidas durante a nossa existência terrena e que são afinal provérbios: “O Hábito Não Faz um Monge” ou “Quem Vê Caras Não Vê Corações”. Nada disto tem a ver com as capas dos discos de vinil conforme as conhecemos. Quem vê uma ruiva, ou uma loira em pose provocante, pensa logo num disco de Fausto Papetti e no som elegante do Easy Listening. Quem vê uma capa com um quadro de Rubens ou um El Greco, pensa logo numa orquestra interpretando uma sinfonia de Beethoven ou uma peça clássica de Bach. Quem vê uma capa minimalista com um grafismo assimétrico, pensa logo num disco de Jazz da Blue Note ou da Impulse. Quem vê uma capa com um guerreiro em acção numa cena do apocalipse, pensa logo num disco de Hard Rock ou de Heavy Metal. E é com alguns destes discos e destas capas que dedicamos nós algum do nosso conhecimento a esta temática tão atraente como perturbadora para os nossos olhos.


 

Os primeiros grupos de Hard Rock que surgiram em finais dos anos 60 e inícios de 70 como os Black Sabbath e os Deep Purple não cuidavam muito da imagem dos discos. Os músicos e a música valiam como um todo, o embrulho atraente era para os grupos bonitos que apelavam aos adolecentes e aos progenitores. Assim se pensou durante alguns anos até o Hard Rock começar a ganhar mais seguidores pelos quatro cantos do mundo e a aparecerem com novas designações: Heavy Metal, Death Metal, Gothic Metal,  Black Metal e Thrash Metal entre outras. Porém, começou a surgir uma cultura própria a partir da década de 80 e aí os artistas gráficos tiveram a sua maior contribuição. Alguns ficaram mesmo para a história como Eddie, um esquelético personagem que aparece em quase todos os discos dos Iron Maiden, seja como piloto de caças, caçador de loucos ou militar. Criado por Derek Riggs, Eddie está agora associado a todo o merchandising e ao próprio culto da banda.

Tal como Derek Riggs, existem outros ilustres artistas associados a bandas de Heavy Metal como Ed Repka (Megadeth), Mark Wikinson (Judas Priest) e Patrick Meeze (Warlock).

Outros há que tiveram um percurso de respeito dentro dos Comic Books, ou na BD, como preferirem, e, ocasionalmente fizeram o gosto à pena ilustrando capas de vinil. Um dos mais conhecidos foi Frank Frazetta (1928/2010), um genial ilustrador das capas dos Molly Hatchet, mas que deixou também a sua assinatura pelos discos dos Wolfmother, Nazareth e Yngwie J. Malmsteen. Muito na linha deste autor está Richard Corben, com uma extensa obra na revista norte-americana Heavy Metal (em Portugal foi comercializada a versão francesa, a “Métal Hurlant”). Corben distinguiu-se também noutros fanzines como “Creepy” e “Hellboy”, antes de ser reconhecido como o ilustrador do multi-platinado registo discográfico “Bat Out Of Hell” dos Meatloaf.

Em Paris nasceu em 1984 uma das primeiras e conceituadas editoras de Metal, a Black Dragon Records, que teve em Eric Larnoy um criativo à altura. Dos registos em vinil mais procurados no mercado, os destaques vão para os Manilla Road, os Steel Vengeance e os Druid, três projectos musicais com a ínconfundivel marca artística de Larnoy.


 

Mas muitos mais teríamos de enumerar numa lista inesgotável de referências aos melhores discos de Hard Rock/Metal, em que os ilustradores contribuiram decisivamente para a obra final. Quem procurar na internet, depara-se com um culto à volta das 25 Melhores Capas, ou, das 50 Melhores, ou mesmo das 100 Melhores Capas deste género musical. Alguns nomes, mais relacionados com o Rock Progressivo, merecem no entanto um destaque pela sua contribuição pioneira nesta arte, casos dos King Crimson, Soft Machine, Yes, Hawkwind e Emerson Lake & Palmer.

Mas, consensuais ou não, destacamos também cinco nomes e cinco discos imperdíveis do Hard Rock/Metal: Kristian Wahlin (Dissection: Storm Of The Light's Bane), Don Brautigam (Metallica: Master Of Puppets), Andreas Marschall (Kreator: Coma Of Souls), Michael Whelan (Obituary: Cause Of Death) e H.R. Giger (Danzig III: How The Gods Kill).

Quanto a nós, portugueses, pouco temos a acrescentar nesta relação entre o ilustrador e a obra musical. Dos primeiros registos de Hard Rock/Metal made in Portugal, tanto os Xeque Mate como os Ibéria ou os Tarântula nada deixaram de transcendente. No entanto, partir de 1991, com a edição do primeiro LP dos Moonspell, notou-se um maior cuidado no grafismo que se tem mantido até hoje.

Texto de: Francisco J. Fonseca